As Ruínas da Antiga Metrópole
A sala se assemelha a uma ampla galeria que poderia ter sido escavada por formigas gigantes em um bloco branco de açúcar. As janelas são pequenas e a maior parte da iluminação natural vem de uma clarabóia grande no teto que forma uma rosácea colorida. O chão desce um nível e a sala sendo quase que perfeitamente circular possui dois braços com almofadas onde as pessoas podem sentar-se, pelomenos umas 40 delas, embora pareça que aquele lugar jamais vá receber um numero grande de visitantes. No centro destes braços está o chão mais um nível abaixo, onde encontra-se um maravilhoso mosaico digno do império bizantino. Este mosaico é formado por pedras bem menores que as do hall e algumas delas parecem ser semi-preciosas ou preciosas e estão posicionadas em locais específicos do que parece ser uma mandala cabalística, associada aos símbolos de diversas culturas diferentes. Afastada do centro está uma pira de granito cinzento, apagada.
Galatea sorriu com gosto, mostrando seus dentes perfeitos e brancos para Alexander em aprovação a sua curiosidade.
Silenciosamente levandou-se e se aproximou um pouco da pira, erguendo uma das mãos, ao que a própria pira aprouximou-se dela de maneira recíproca, apesar de parecer imensamente pesada.
Galatea segue a passo firme até uma discreta prateleira embutida na parede, tomando em uma das mãos um pequeno artefato comprido, como um bastonete de madeira. Na outra mão ela segura um frasco com o que parece ser uma seleção de ervas secas muito específica.
Ao tocar no interior da pira com o bastonete, esta acende imediatamente. As labaredas são alaranjadas e persistentes, como se o fogo tivesse sido aceso há algum tempo e alimentado com bastante madeira. A luz ilumina todo o salão enquanto Galatea observa solenemente.
Depois de alguns instantes ela se coloca a falar:
- Há alguns anos houve uma grande cidade ao sul daqui que ficou conhecida por "Metrópole dos Criadores". - ela move um dos braços e uma lufada fria faz o fogo apagar, deixando vivas apenas as brasas incandescentes. Ela coloca um bom chumaço de ervas sobre estas brasas e uma fumaça densa e perfumada toma conta do salão. - Quando esta cidade não era tão grande a ponto de receber a horaria de metrópole, os homens se preocupavam pouco com dinheiro e costumavam realizar trocas para satisfazer suas necessidades básicas. - A fumaça começa a se concentrar atrás da pira, bem diante de Galatea, onde algumas imagens começam a fazer-se visíveis, pouco a pouco. - Com o crescimento da cidade algumas pessoas passaram a imaginar que poderiam deixar de plantar, já que haveria quem plantasse por elas, outras deixaram de caçar pois haveria quem caçasse por elas e assim as necessidades foram aumentando com o número crescente de pessoas que sentiam-se desmotivadas a fazer o que era preciso. Surgiu assim o 'ofício' e com este o 'dinheiro'. Aquele que não tivesse um ofício não poderia ter dinheiro e quem não tivesse dinheiro não poderia satisfazer suas necessidades, nem seus desejos, pois com o dinheiro surgiu também o luxo. - o visitante consegue vislumbrar a imagem de uma cidade de porte médio, bastante movimentada, com todo o tipo de comércio. Pessoas bem vestidas e pessoas humildes caminhando com seus afazeres, atarefadas.
- Infelizmente, o dinheiro não foi a solução do problema da desmotivação, mas o cerne de novos problemas que surgiram. Se antes algumas pessoas cometiam atos dos quais se envergonhavam por necessidade ou por preguiça de fazerem o que era necessário, com o luxo surgiu a cobiça e assim muitas pessoas passaram a roubar por inveja e por ganância. Não bastasse isso, ao invés de receberem dinheiro apenas aqueles que faziam por merecer com os esforços de seu trabalho, surgiram muitos dos que enganavam, subjulgavam e usavam outras pessoas para atingir os seus sonhos de luxúria. Terrívelmente, estes magnatas trapaceiros tornaram-se os homens de poder desta cidade, comprando a vontade dos fracos com seu dinheiro e pressionando quem se colocasse em seu caminho, usando pessoas como ferramentas. Estes se tornaram os governantes da nova cidade que surgia. - o dragão agora via claramente diante de seus olhos belos prédios que se erguiam pelo esforço de muitos homens sofridos. Carruagens adornadas nos metais mais nobres que transitavam de lado a lado da ampla cidade. Árvores e mais árvores que eram derrubadas para dar lugar à ferida que se abria na floresta em forma de um grande conjunto de habitações e edifícios comerciais.
Movendo as mãos com agilidade ela parece desenhar as imagens no ar e então continua contando sua história:
- Com o passar dos anos os governantes daquele local foram deixando aquilo que os tornavam humanos cada vez mais distante em seu passado. Os filhos repetiam os erros dos pais, pois aprendiam com eles que seus subalternos não tinham alma. Já nasciam sem acreditar nos deuses e o povo, de tanto sofrimento, foi se esquecendo de louvar aos deuses também.
- Como o dinheiro não encontrava obstáculos que detivessem a ganância de seus donos, e como os governantes já haviam comprado a liberdade de seu povo, decidiram então buscar os serviços de um outro povo orgulhoso de suas habilidade. Um povo mágico: os elfos da floresta. Estes foram convencidos pela ardilosa lábia da burguesia da cidade a auxilar em uma empreitada desrespeitosa e arriscada. Mais do que isso, o povo élfico sentiu-se desafiado em seu orgulho a realizar uma tarefa que nunca antes alguém ousara pretender: Os pesquisadores e intelectuais, os magos e os mercenários, alguns caçadores unidos ao povo élfico, iniciaram a criação de novos seres. Estas 'criaturas' teriam como único propósito de existência a servidão. Livrariam assim aquele povo sofrido dos trabalhos pesados, realizariam as tarefas mais imundas sem reclamar e, quantas delas morressem seriam repostas por muitas mais. Os elfos deixaram-se enganar por desejar atender ao desafio que sempre buscaram, um desafio à altura de suas mentes e que apenas os deuses até hoje conseguiram realizar. E assim surgiram as criaturas. - Ela agora vislumbra uma cidade muito maior que a de antes, povoada por pessoas saudáveis assistidas por seus escravos pessoais. Estes escravos possuiam feições animais dóceis e submissas, enormes homens com cabeça de touro, soldados fortes com focinhos equinos e patas sólidas, caçadores ágeis com garras afiadas, meretrizes delicadas e de curvas sinuosas como felinas, dentre outras variedades mais, incontáveis, inimagináveis.
- Você pode se chocar com isso, doce Alexander, mas para aquele povo acostumado a ser tratado como escravo a idéia de comandar alguém ainda mais infeliz, submisso e inerte pareceu tão consoladora quanto satisfatória. Finalmente todos poderiam ter o seu quinhão de crueldade a ser dispensada contra outrem. Alguns chegaram a entregar os próprios filhos para garantir que a magia seria realizada de maneira correta.
- E a metrópole cresceu...nunca se propagou fora deste continente, mas cresceu dentro de seu território, apliando-se mais e mais até que não mais existisse a pobreza e uma era de ouro surgiu entre os burocratas. Todos os criadores agora estavam satisfeitos e o dinheiro fluia como água sem que todos percebessem que pouco a pouco ele se desvalorizava. Ter poder significava ter o escravo mais exótico a construção mais perfeita ou a que custasse mais sangue de criaturas chamadas de 'inferiores'. - a imagem mostrada agora pela cortina de fumaça é de uma imensa metrópole formara por enormes prédios de arquitetura lembrando a clássica, um mais suntuoso que o outro. Fazendo contraste a essa maravilha, na periferia da cidade os corpos de criaturas mortas eram empilhados e queimados. Próximos a essa fogueira estavam as criaturas velhas, doentes ou simplesmente indesejadas por estarem fora de moda. Ali viviam solitárias, sem saber como continuar com suas vidas por não terem consciência ou senso próprio, até perecerem.
- Os elfos se arrependeram amargamente de seu orgulho, mas lhes parecia tarde demais para fazer algo. Tentaram então discutir sobre condições melhores para aquelas criaturas viverem. Foram ridicularizados: "Um absurdo...eles não são seres vivos, apenas objetos para nos servir!" - riam-se os burocratas. E assim os elfos tomados de furia e arrependimento proclamaram guerra. Uma guerra tardia e despreparada, já que os burocratas e intelectuais pensavam em tudo e há muito haviam erguido uma enorme muralha circundando toda a extensão daquele território. Seus enormes blocos de pedra mediam três metros e meio de largura e a altura era impressionante, cerca de 28 metros.
Antes que pudessem traçar uma estratégia os elfos foram massacrados pelas criaturas que ajudaram a gerar com sua magia. Dos poucos que escaparam ao ataque não se soube mais e o único que escreveu o pergaminho com este relato ficou completamente insano.
- Pois você pode achar que os deuses não se importavam com o que ocorria. A verdade é que os deuses dotaram cada criatura em Midgard, que é como chamam a terra dos homens, de livre arbítrio. Veja a sabedoria dos deuses, meu caro amigo, eles sabiam criar sem que fosse apenas para serem servidos ao contrário dos humanos e elfos que tiraram o único dom de suas criaturas que não tinham o direito de negar. Vendo o desenrolar da história os deuses decidiram por presentear com este dom, esta maravilha que é a auto consciência e o poder de decisão, as criaturas.
Ela faz uma pausa reflexiva.
- Como era de se esperar, as criaturas se rebelaram. Toda a dor que ela deveriam ter sentido quando passaram por tantas humilhações e dificuldades despencou sobre elas de uma só vez. Insandecidas elas não viram outra saída: possuiam ainda o instinto animal muito forte e não lhes fora tirada a capacidade de recordar. Atacaram com todas as suas forças imediatamente, sem se organizar e sem conceber qualquer tática. Desnecessário dizer que não pouparam qualquer homem, mulher, criança ou velho daquele local profano. Os criadores pagaram com seu próprio sangue pelas atrocidades que cometeram e até mesmo com o sangue dos poucos inocentes que restavam. Inocentes, mas não de todo, pois eram inertes diante do sofrimento alheio. Parte da muralha fora destruída tamanha a violência do ataque. Muralha esta construida para proteger, que evitou a fuga dos criadores apavorados de suas criaturas iracúndias.
- Há quem diga que as ruinas do que restou da metrópole são habitadas. Não se sabe de ninguém que tenha passado por lá e que tenha retornado para afirmar com certeza. Imagino que elas ainda estejam lá, vivendo à sua própria maneira hoje em dia.


4 Comments:
AAAAAAAH XD
olha eu, olha eu XD *aponta alexander* XD
a curiosidade do pirralho vai fazer vc escrever um monte de coisa, juka XD
=***
sáb. fev. 03, 09:57:00 PM
HUAHUAHUAHUA...viu o tamanho que ficou o post??? Tá uma linguiça! XD
Vc sabe como tratar tendinite? >.<"""
sáb. fev. 03, 10:24:00 PM
repouso u.u'
o q vai ser dificil pra oc, pq eu quero jogar xD
dom. fev. 04, 02:24:00 AM
Comprei daquelas bolinhas para fazer exercício com a mão...ajuda? XD
ter. fev. 06, 10:32:00 PM
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